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Entrevista sobre anemia – Prevenção, alimentação, suplementação, incidência e dieta

*Carina Tafas

Correio Braziliense: Qual é a importância da alimentação como forma de prevenção da anemia?

Alimentos ricos em nutrientes contra a anemia.

Carina: A alimentação saudável auxilia na prevenção das doenças e para o bom funcionamento do organismo como um todo. Com ela, se tem ingestão dos nutrientes e antioxidantes para a neutralização dos radicais livres que bombardeiam nossas células dez mil vezes por dia. Já uma alimentação inadequada, ou seja carente de nutrientes: vitaminas, minerais, proteínas, carboidratos, gorduras, antioxidantes e água, acarreta numa série de doenças. Muitas pessoas não se preocupam com o que estão ingerindo ou deixando de ingerir, mas o que eu sempre falo para os meus pacientes, é que “nosso organismo não reconhece alimentos, ele reconhece nutrientes”. E estes nutrientes só podem ser adquiridos através de uma alimentação saudável e equilibrada, a qual garante uma boa saúde e previne as anemias carenciais. Eu falo também que “nós somos o que comemos, digerimos, transformamos, absorvemos, utilizamos e excretamos”, e não apenas “ somos o que comemos”, pois se não tivermos uma saúde gastrointestinal saudável, não utilizaremos os nutrientes da alimentação de forma eficaz. A alimentação saudável é essencial para esta parte digestiva, participando diretamente na absorção do ferro, por exemplo. É através da solubilização e ionizaçãodo ferro inorgânico (alimentar) pelo suco gástrico no estômago, que ele é reduzido a ferro ferroso para ser absorvido. A deficiência de produção de suco gástrico, diminui a absorção de ferro pelo organismo. Para a produção desse suco gástrico, alguns nutrientes específicos são necessários. O ferro é importante como transportador de oxigênio através da hemoglobina, e essencial para o funcionamento do sistema imunológico. Porém outros nutrientes estão envolvidos no metabolismo do ferro e se fazem necessários quando pensamos na anemia, como: Vitamina B6, vitamina B2 vitamina C, vitamina E, vitamina A, zinco, cobre e proteínas, Todos agindo como co-fatores ou envolvidos na manutenção da síntese normal da hemoglobina.

Correio: Quais são as situações que pedem por um complemento como o sulfato ferroso, e quais podem ser tratadas com uma dieta apropriada?

Carina:  A anemia ferropriva atinge mais as crianças pré-escolares (entre 2 e 6 anos de idade) do que os adultos. Na presença de sintomas como: dificuldade de aprendizado, fraqueza, indisposição, falta de apetite, os pais devem encaminhar seus filhos ao pediatra e ao nutricionista, que juntos, poderão encontrar as melhores estratégias para reverter este quadro e melhorar a saúde e desempenho cognitivo das crianças. A melhor forma de prevenção da anemia ferropriva é o cuidado com a alimentação das crianças desde a introdução dos primeiros alimentos. Os alimentos ricos em ferro são a carne de vaca, frango e peixe, gema do ovo, feijão, soja, lentilha, ervilha, espinafre, brócolis, couve, beterraba e verduras com folhagem mais escuras. Através da alimentação também é possível tratar a anemia, introduzindo estes alimentos e concomitantemente, outros alimentos ricos em todos nutrientes que fazem parte do metabolismo do ferro. Ou seja, a pessoa deve adquirir uma alimentação saudável e não pensar apenas no ferro. Sabemos que a vitamina C, potencializa a absorção de ferro, por exemplo. Quem come uma laranja depois do almoço, está aumentando a biodisponibilidade do mineral. A suplementação combinada de todos os nutrientes envolvidos do metabolismo do ferro, é a melhor forma de tratar a anemia depois de instalada se comparada a suplementação de sulfato ferroso isolado, pois devemos considerar a sinergia entre os outros micronutrientes. A suplementação com sulfato ferroso, apresenta alguns efeitos adversos que devem ser considerados no uso em jejum, pois podem provocar sintomas gastrintestinais como constipação, náuseas e vômitos com dor abdominal. Dessa forma devem se ter alguns cuidados na administração de doses corretas, horários adequados e se necessário utilizar de forma quelado para evitar a interação com outros minerais ou distúrbios gastrointestinais. Além disso, a suplementação inadequada de sulfato ferroso jé vem sendo demostrada em vários estudos, podendo exacerbar a deficiência de outros nutrientes como o zinco e também o risco de sobrecarga, já que muitas pessoas tomam por conta própria em qualquer sinal de sintoma de anemia. Se a deficiência de ferro for descartada, a anemia pode ter outra causa e precisa ser investigada. São causas da anemia: a deficiência na produção de glóbulos vermelhos, doenças crônicas, doenças renais, leucemia, perdas de sangue, osteoporose, hipo ou acloridria (deficiência ou não produção de ácido gástrico, que eu já mencionei), doenças hereditárias, doenças parasitárias (ex: esquistossomose e malária), verminoses (infecção por giardia, ancilostomídeos, tênias) e deficiência de vitamina B12, cobre, zinco ou vitamina B6.

Correio: Por que a anemia atinge a tantas mulheres (no Brasil, quase 30% das mulheres, grávidas ou não)?

Carina: A anemia acomete recém nascidos, lactentes com uso de leite de vaca, adultos vegetarianos, gestantes, idosos pela inapetência e problemas dentários. No Brasil, 50% das gestantes e crianças dos 6 meses aos 2 anos apresentam anemia por deficiência de ferro. A anemia na gestação pode estar relacionada a uma dieta insuficiente de ferro, associada ao aumento da demanda do mineral típico desse período. Uma dieta equilibrada nem sempre é suficiente para suprir as necessidades de ferro que aumentam durante a gestação, sendo necessários cuidados até dois anos para o restabelecimento dos depósitos utilizados durante esse período. A deficiência de ferro na gestante pode acarretar efeitos adversos tanto para a sua saúde quanto para a do recém-nascido. A redução na concentração de hemoglobina na gestante resulta em aumento do débito cardíaco a fim de manter um fornecimento adequado de oxigênio via placenta às células fetais. As anemias maternas moderada e grave estão associadas a um aumento na incidência de abortos espontâneos, partos prematuros, baixo peso ao nascer e morte perinatal. Os efeitos no feto podem ser a restrição do crescimento intra-uterino, prematuridade, morte fetal e anemia no primeiro ano de vida, devido às baixas reservas de ferro no recém-nascido. Também se associam as crianças magras com anemia, mas nem sempre ela está anêmica e vice-versa. É cada vez mais comum, crianças obesas apresentarem anemia, pois se alimentam inadequadamente e com isso ingerem pouca quantidade de ferro.

Correio: Quais são os cuidados a serem tomados com a dieta?

Carina: A absorção de ferro de origem vegetal é aumentada quando este é ingerido com a vitamina C, encontrada principalmente nas frutas cítricas (laranja, acerola, limão). Devemos tomar cuidado com alguns tipos de chás, pois inibem a absorção de ferro, assim como o leite de vaca em excesso. Já o cálcio inibe sua absorção, portanto molhos brancos, queijos e nata (ricos neste mineral) podem contribuir para piorar o estado nutricional de ferro e devem ser evitados durante as principais refeições. Outros antagonistas neste caso, são os fitatos e os polifenóis. Os primeiros, presentes em diversas sementes e grãos, prejudicam a absorção do ferro. Já os polifenóis, apesar de estarem associados com efeitos benéficos contra doenças cardiovasculares, podem se ligar ao ferro e dificultar sua absorção. Alguns dos polifenóis mais comuns são os taninos, as catequinas e isoflavonas. Cabe evitar o uso de chá verde, chimarrão, chá preto, cacau, café e chás de ervas próximos às refeições que contenham ferro. Apesar de os dados laboratoriais apontarem apenas para a deficiência da ingestão de ferro, a redução ou ausencia de outros nutrientes também podem estar presentes, pois quando se instala no organismo alguma deficiência, normalmente ela é acompanhada de outras carências nutricionais. As anemias nutricionais, por sua vez, resultam da carência diretamente associada a um nutriente ou a combinação de nutrientes, como ferro, ácido fólico e a vitamina B12. Portanto a deficiência de outro nutriente pode ser a causa indireta da anemia nutricional,pela interligação do metabolismo dos micronutrientes como um todo , sendo que a carência de um nutriente pode gerar a deficiência de outro. Para tratar a anemia, devemos pensar numa alimentação equilibrada e saudável como um todo e não apenas no ferro, claro que dando enfoque para ele.

Ferro: fígado, ervilhas, feijões, carne vermelha, batata, espinafre, pão integral, brócolis, ovos, queijo, leite e vegetais verdes.

Ácido Fólico: carne, fígado, espinafre, repolho, laranja, alface, brócolis, germe de trigo, banana e ovos

Vitamina B12: fígado, rim de boi, ostra, atum, leite, queijo, frango.

Outra causa de anemias é a cirurgia bariátrica. Este tipo de cirurgia não traz apenas benefícios. Apesar de diversos estudos mostrarem a eficácia da cirurgia bariátrica no tratamento da obesidade em adolescentes, deve-se atentar para o surgimento de possíveis deficiências nutricionais, causadas pela diminuição severa da ingestão alimentar e/ou do prejuízo na digestão e absorção dos nutrientes consumidos, estando assim os pacientes sujeitos a deficiências graves de nutrientes se não orientados corretamente. Os principais nutrientes que normalmente estão deficientes em pacientes que realizam a cirurgia são as proteínas, além de ferro, vitamina B12, zinco, ácido fólico e vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K). Estes nutrientes são essenciais para o funcionamento equilibrado do organismo, sendo que a deficiência destes nutrientes pode acarretar diversos prejuízos à saúde, como uma anemia por deficiência de ferro e vitamina B12, aumento do risco de doenças cardiovasculares por deficiência de ácido fólico (por aumentar os níveis de homocisteína), prejuízo no sistema imunológico e antioxidante (por deficiência de vitamina A, D, zinco), e prejuízo na coagulação sanguínea normal (por deficiência de vitamina K), dentre outras.

Dica de cardápio saudável:

Café da manhã: acrescente ovos orgânicos e caipira, na forma de omeletes com legumes ou ervas. Consuma pão integral e sucos de frutas com folhas verdes (couve, agrião, etc) 

Lanche da manhã: banana com canela e sementes oleaginosas

Almoço: arroz integral, feijão, carne grelhada, saladas (alface, tomate, beterraba), repolho refogado. Suco de laranja. Acrescentar azeite de oliva nas saladas.

Lanche da tarde: iogurte com frutas vermelhas e granola

Jantar: Arroz Integral, lentilha, peixe grelahdo, brócolis ou espinafre refogado e salada com pimentões coloridos. Suco de goiaba natural.

* Nutricionista Funcional

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junho 22, 2011 at 6:37 pm Deixe um comentário

Entenda um pouco mais sobre a Anemia Ferropriva: a desordem nutricional mais comum no mundo.

* Carina Tafas

 Cerca de 1/3 da população mundial têm carência de ferro. Tanto em países em desenvolvimento quanto em países desenvolvido.

 A Vitamina C é o mais potente promotor de absorção de ferro

No Brasil 30% das gestantes e 50% das crianças apresentam esta deficiência, que pode aumentar o risco de parto prematuro e anormalidades no desenvolvimento cerebral do feto e comprometer o desenvolvimento cognitivo e o aprendizado em crianças.

O ferro é fundamental para que diversas funções no corpo aconteçam, assim como para a construção das hemácias. Quando falta ferro no organismo, o estoque (que se chama ferritina) vai sendo utilizado para fornecer ferro para a produção de hemácias. Quando o estoque de ferro reduz, a produção de hemácias cai e pode surgir a anemia.

O que acontece com a redução de ferro no organismo?

  • A pessoa fica pálida, pois ocorre uma redução das hemácia que são as células vermelhas.

  • Diminuição do sistema imunológico

  • Fissura nos cantos dos lábios

  • Pode ocorrer alterações na pele e nas unhas

  • Queda de cabelo

  • Cansaço

  • Tontura

  • Fraqueza

  • Indisposição

  • Falta de apetite

  • Pode haver depressão

A deficiência de ferro é a principal razão para a instalação da anemia ferropriva, porém não é a única. Outras causas devem ser avaliadas, como: insuficiência renal crônica, hipotireoidismo, câncer, doenças inflamatórias, deficiência de outros minerais, situação gástrica (estômago) e intestinal, hemorragias, gestação, perda crônica de sangue pela menstruação, cirurgia de redução de estômago.

A vitamina C potencializa a absorção de ferro, portanto o consumo é interessante junto ao almoço e jantar. O consumo de 75 mg de vitamina C aumenta a absorção do ferro em três a quatro vezes. Veja na tabela alguns alimentos ricos em Vitamina C.

Já o cálcio inibe sua absorção, portanto molhos brancos, queijos e nata (ricos neste mineral) podem contribuir para piorar o estado nutricional de ferro e devem ser evitados durante as principais refeições.

Outros antagonistas neste caso, são os fitatos e os polifenóis. Os primeiros, presentes em diversas sementes e grãos, prejudicam a absorção do ferro. Já os polifenóis, apesar de estarem associados com efeitos benéficos contra doenças cardiovasculares, podem se ligar ao ferro e dificultar sua absorção. Alguns dos polifenóis mais comuns são os taninos, as catequinas e isoflavonas. Cabe evitar o uso de chá verde, chimarrão, chá preto, cacau, café e chás de ervas próximos às refeições que contenham ferro.

Existe também o problema da falta de acidez gástrica que também prejudica a absorção do ferro. Em estado normal, nosso estômago deve ser ácido, mas alguns defeitos da alimentação podem deixá-lo mais alcalino (menos ácido) e contribuir para a deficiência do ferro. O uso de antiácidos e a carência de zinco, por exemplo, também podem contribuir para a redução da produção de ácido clorídrico no estômago.

 

Alimento

Quantidade

Vitamina C (mg)

Goiaba crua

½ unidade

188

Pimentão vermelho cru

½ xícara

142

Pimentão vermelho cozido

½ xícara

116

Quiuí

1 médio

70

Suco de laranja

¾ xícara

61 a 93

Pimentão verde cru

½ xícara

60

Mamão (papaia) médio

¼

47

Brócoli cozido

½ xícara

37

Abacaxi cru

½ xícara

28

Couve-flor cozida

½ xícara

28

Manga crua

½ xícara

23

Fonte pesquisada: Alimentação sem carne (guia prático) de Eric Slywitch

*Nutricionista e Personal Diet

ctafas@yahoo.com.br

 

março 5, 2009 at 4:10 pm Deixe um comentário

O consumo excessivo de alguns alimentos pode levar à carência de minerais

 * Carina Tafas

 

Alguns compostos alimentares podem inteferir negativamente na absorção de alguns nutrientes importantes para a nossa saúde, são os chamados efeitos antinutricionais. Algumas dicas podem ajudar a amenizar estes efeitos. Um dos compostos antinutricionais encontrados nos alimentos são os fitatos.

Vilões ou mocinhos?

Os fitatos dificultam a absorção de alguns nutrientes como cálcio, ferro e zinco, e estão presentes nas sementes, como grãos dos cereais e das leguminosas (soja, feijões), trigo em grão, gergelim, amendoim, batata inglesa e batata-doce. Por outro lado, estes alimentos são benéficos à nossa saúde, pois reduzem o colesterol e triglicerídeos, controla o excesso de ferro no intestino (que forma radicais livres), previne o câncer de cólon. Além disso, os fitatos reduzem a toxicidade de metais pesados como cádmo e chumbo, já que inibem sua absorção.

Uma dica interessante para quem sofre de deficiência de algum destes minerais, ou até mesmo está com anemia ou osteoporose, é deixar os grãos de molho antes de consumí-los. Faça com feijões, lentilha, linhaça, grão de bico, amendoim, gergelim, dentre outros

Deixe os grãos de molho na água por 8 a 12 horas e depois despreze esta água. Como é solúvel em água, parte do fitato vai embora. Outra dica é ingerir vitamina C (frutas como laranja, limão, manga, goiaba, acerola, etc), pois reduzem os efeitos dos fitatos. Pingue uma gotinhas de limão em sua comida!

*Nutricionista Funcional e Personal Diet

ctafas@yahoo.com.br

 

 

fevereiro 27, 2009 at 4:59 pm 1 comentário


Alimentação Saudável

É natural que hoje em dia, com a dinâmica acelerada de vida, as pessoas necessitem de auxílio na hora de gerenciar sua alimentação.

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